Avaliação Neuropsicológica
20 de Junho de 2018
Avaliação Neuropsicológica

Mas afinal, o que é e para que serve a Avaliação Neuropsicológica?

A neuropsicologia é a área que abrange a complexa organização cerebral e suas relações com o comportamento e a cognição, tanto em quadros de doenças como no desenvolvimento normal, ou seja, é a ciência aplicada que estuda a expressão comportamental das disfunções cerebrais.

A Avaliação Neuropsicológica, por sua vez, consiste no método de investigar as funções cognitivas e o comportamento. Trata-se da aplicação de técnicas de entrevistas, exames quantitativos e qualitativos das funções cognitivas, abrangendo processos de atenção, percepção, memória, linguagem e raciocínio. O termo “função cognitiva” na neuropsicologia significa a integração da capacidade de percepção, de ação, de linguagem, de memória e de pensamento. O psicólogo irá investigar, além dos aspectos clínicos com o próprio sujeito que apresenta as queixas, outras condições, tais como as acadêmicas, familiares e sociais. Para isso, poderá dispor de inúmeros instrumentos, como escalas, entrevistas e testes psicológicos.

O fascinante trabalho da neuropsicologia consiste em interpretar comportamentos e resultados dos testes dentro do contexto clínico. O profissional deverá dispor de conhecimento clínico sobre padrões de comportamentos, emoções e aspectos cognitivos, tomando como base a influência de fatores como idade, gênero, condições físicas e contexto psicossocial, e suas relações com o desenvolvimento cerebral. Deverá compreender também os prejuízos e habilidades característicos dos quadros psicológicos com que lidará. As áreas avaliadas incluem, essencialmente, inteligência geral, atenção, percepção, memória, linguagem, funções executivas, desempenho escolar, aspectos emocionais e observações comportamentais.

Os principais objetivos da avaliação são: auxílio diagnóstico, quando é solicitado para fornecer subsídios para a identificação e a delimitação do quadro (neurológico e/ou psiquiátrico); prognóstico, quando o diagnóstico está feito, mas deseja-se estabelecer o curso da evolução e o impacto que tal desordem terá a longo prazo; orientação para o tratamento, o que pode contribuir para mudanças nos tratamentos medicamentosos ou psicoterapêuticos; e auxílio para o planejamento da reabilitação, já que a avaliação estabelece quais são as forças e fraquezas cognitivas, orientando quais funções devem ser reforçadas ou substituídas por outras.

Especificamente, em relação à Avaliação Neuropsicológica Infantil, é necessário considerar algumas peculiaridades, tais como o padrão de desenvolvimento e as diferenças em relação à avaliação de adultos. A avaliação infantil exige a constante análise do impacto que o contexto psicossocial (relações familiares, relações sociais, ausência de estimulação adequada e fatores educacionais – métodos pedagógicos inadequados que não favorecem a aprendizagem) desempenha no funcionamento cognitivo da criança. Deve-se questionar também se o comportamento observado não faz parte da variação comum de comportamentos característicos de crianças, antes de diagnosticar a variação como patológica.

As principais demandas por avaliação são queixas escolares e comportamentais, tais como dificuldade de aprendizagem, comportamentos desatentos, dificuldades de relacionamento com colegas e professores, recusa em fazer atividades escolares, desempenho abaixo do esperado em leitura, escrita e matemática. Os encaminhamentos geralmente são feitos por professores e outros profissionais que acompanham o cliente, como fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, psiquiatras e neuropediatras.

O relatório de avaliação é o resultado final do processo, o fecho da avaliação e a abertura das orientações para reabilitação. Deve incluir aspectos descritivos (com ou sem dados numéricos) e a interpretação dos dados obtidos. Esse é o meio de comunicação oficial entre profissionais que trabalham com o paciente e é o documento que responde à demanda.

Ao término do processo de avaliação é realizada a entrevista devolutiva, na qual as alterações observadas devem ser traduzidas com exemplos das situações práticas. Tanto o cliente como o familiar precisam de orientações e indicações para o acompanhamento futuro. Os termos técnicos do relatório podem então ser explanados e as dúvidas sanadas.

Pais, professores ou profissionais que lidam coma criança necessitam de um diagnóstico funcional, ou seja, mais do que o “rótulo” diagnóstico, necessitam de um maior conhecimento do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, bem como dos problemas de comportamento e de aprendizagem associados.

Não se trata de rotular ou enquadrar a criança como integrante de grupos problemáticos, e sim de evitar que tais dificuldades possam impedir o desenvolvimento saudável da criança. Portanto, as consequências sobre o desenvolvimento cognitivo, escolar e sócio emocional da criança demonstram a importância de um diagnóstico precoce capaz de permitir uma atuação preventiva.

Ao fornecer subsídios para investigar a compreensão do funcionamento intelectual da criança, a neuropsicologia pode instrumentar diferentes profissionais, tais como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos, promovendo uma intervenção terapêutica mais eficiente.

Caroline Meneghin Mansur
Psicóloga Clínica CRP:06/103643


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