Burnout: você já ouviu esse nome?
21 de Agosto de 2018
Burnout: você já ouviu esse nome?

Talvez o nome não seja tão familiar, mas quando se trata de sinais na vida profissional como cansaço devastador, falta de energia, exaustão, realização de atividades que antes fazia de forma competente e atenciosa, agora de forma automática, irritabilidade, ironia, falta de concentração, desânimo, sensação de fracasso e incapacidade, baixa produtividade acompanhada de insatisfação pessoal, descaso com necessidades pessoais, não enfrentamento e resolução de conflitos, reinterpretação de valores, isolamento e resistência a reuniões (e o que mais envolver contatos sociais no trabalho), mudanças evidentes e bruscas no humor, sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante, indiferença, desesperança, ausências no trabalho, agressividade, pessimismo, baixa autoestima, entre outros, essa realidade não fica tão distante.

Síndrome de Burnout é uma doença ocupacional, ou seja, direta e principalmente relacionada ao trabalho, que é também conhecida por esgotamento profissional e trata-se de um cansaço excessivo e total falta de energia apresentados em relação ao trabalho. Burnout é um termo em inglês que significa algo como “combustão completa”. E tais sinais descritos acima podem indicar um alerta relacionado a tal Síndrome.

É um esgotamento tanto mental como físico e basicamente se dá em três níveis inter-relacionados. O primeiro diz respeito à fadiga e ao esgotamento em relação ao trabalho, onde até o pensar em ir trabalhar pode cansar; o segundo é sobre as relações interpessoais, que acabam se tornando desinteressantes e também fatigantes, devido a condição interna de quem está em estado de esgotamento; e o terceiro se refere a produtividade que sofre um declínio já que não se tem mais energia para continuar as tarefas como era habitualmente.

Apesar de ter ligação direta com o trabalho, tal Síndrome não advém somente dele, é uma mistura de fatores profissionais, pessoais e sociais, visto que essas e outras áreas na nossa vida são interligadas, como por exemplo, uma situação familiar que influencie o humor no trabalho. O fator pessoal tem a ver com a atitude que a pessoa tem em relação a ela mesma, no sentido de cuidar de si, de não ir além do seu limite, de não se expor por vontade ou capricho a situações de estresse ou tensões constantes, dentre outras coisas. É o pensar em si mesma e se tratar bem. Quem não liga pra isso, provavelmente não vai ligar para excessos que ocorrem no trabalho também. Já o social e o profissional tem a ver com as pressões externas que vem tanto da sociedade (padrões impostos, por exemplo), como do ambiente de trabalho ou do que se é exigido profissionalmente. E então, vai da estrutura de cada um o saber lidar com tais pressões e também saber lidar consigo mesmo e se conhecer a ponto de não passar dos seus limites.

É importante lembrar que a diferença entre um esgotamento leve e um esgotamento crônico é que o primeiro é resolvido com um período de descanso após a utilização de energias extras para as atividades e o segundo é contínuo – não há descanso. Felizmente, para você que está lendo esse texto e identificando vários sinais e sintomas de esgotamento profissional crônico, há um caminho. Talvez o descanso e o alívio não sejam imediatos, mas vai depender quase que exclusivamente de você mesmo, o primordial é buscar informações e atendimento no sentido de saber o que realmente está acontecendo. Algumas vezes também é necessário uso de medicação, então uma avaliação médica se faz importante. Psicoterapia para identificar mudanças necessárias e se ter um suporte para tais, também é fundamental.

De maneira preventiva ou até terapêutica, se necessário, uma orientação é de realizar uma avaliação profissional: perguntar a si mesmo se é satisfeito com o que faz e com seu ambiente de trabalho, lembrando que nem sempre entusiasmo tem a ver com satisfação; se questionar o que o atrai em seu trabalho, e não se deixar enganar, por exemplo, por altos honorários que acabam tendo um alto custo pra você; pensar mais sobre o sentido de fazer o que faz, “por que estou fazendo isso ou aquilo?” ou “para que estou fazendo?”; não pensar somente no produto final, mas aproveitar todo o processo em que ele é feito. Em uma avaliação pessoal, convém rever valores e prioridades pessoais, como, por exemplo, que lugar o trabalho ocupa na sua vida, o que ele representa para você, e quanto tempo é aproveitado com amigos, familiares, pessoas de quem gosta e atividades prazerosas que não sejam laborais.

Apesar da correria e falta de tempo cada vez maior, faz-se necessário um tempo para se cuidar, para olhar pra si mesmo, pensar em sua saúde mental e bem estar de forma geral. Refletir sobre o que há de mais valioso pra você e onde quer colocar suas expectativas, suas emoções, seu sentido de vida – é no trabalho, na família, nos amigos, no lazer, em outras coisas ou pessoas? E não se esquecer de que o que tiver de mais valioso pra você, é onde estará seu maior investimento.

Mariane Escher Furtado Dantas
Psicóloga – CRP 06/108042
Atendimento a crianças, adolescentes, adultos e idosos. Psicoterapia familiar e de casal.


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