Janeiro Branco
22 de Janeiro de 2018
Janeiro Branco

Estamos no Janeiro Branco, o mês da conscientização da saúde mental. Mas você sabe o que isso significa?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental engloba não somente a ausência de transtornos mentais como, por exemplo, a depressão, a ansiedade generalizada, a esquizofrenia, a bipolaridade, entre outros, mas estar mentalmente saudável, é o estado de bem-estar no qual uma pessoa consegue desempenhar suas habilidades, consegue lidar com as inquietudes da vida, é capaz de trabalhar de forma produtiva e contribuir para a sua comunidade.

A partir dessa definição, e para lembrar as pessoas de cuidarem não só da saúde física, mas também da mental, surgiu a Campanha Janeiro Branco, nascida em Uberlândia (MG) por meio de psicólogos, e tem por objetivo conscientizar todas as pessoas do mundo a refletirem sobre a sua saúde mental, suas condições emocionais de vida, sua qualidade de vida e qualidade de seus relacionamentos.

No entanto, as situações do cotidiano mostram que cada vez menos estamos conseguindo levar a vida de forma saudável. Muitas são as circunstâncias que assolam a população, como por exemplo, pressão no trabalho, trânsito caótico, superlotação no transporte público, longas jornadas de trabalho, excesso de tarefas desempenhadas durante o dia, desencontros amorosos, cobranças da sociedade e responsabilidades da vida adulta. A vida moderna, de ritmo acelerado, é o que tem tomado conta da vida de milhares de pessoas. Ninguém mais sabe o que é um momento de paz, de harmonia com aqueles que ama, de real tranquilidade. O pensamento está sempre voltado para o que temos que fazer no dia seguinte. Com tanta cobrança, interna e externa, muitos de nós ficamos cansados de buscarmos sermos melhores, mais produtivos, alcançarmos o sucesso, satisfazer aquilo que a sociedade espera, causando esgotamento, insatisfação, o que leva muitos à exaustão física e mental.

Temos observado um aumento dos casos de depressão, ansiedade, síndrome do pânico, estresse, suicídio, entre outros. Desde os anos 2000, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem, insistentemente, alertando a humanidade quanto ao crescimento das taxas de suicídio, depressão e ansiedade em todo o mundo.

A vida está precisando ser repensada!

É necessário pensar e refletir sobre sentimentos, atitudes e comportamentos, sobre a forma como se está vivendo, sobre o que gostaria que fosse mudado, sobre relacionamentos, e principalmente sobre o que se espera da vida e aquilo que realmente é importante. O mês de Janeiro foi escolhido exatamente por isso, pelo fato de as pessoas repensarem suas vidas, seus planos e sonhos a cada ano-novo. A cor branca foi escolhida pelo fato de ser a junção de todas as cores, remetendo à ideia de que o indivíduo para ter Saúde Mental precisa estar em harmonia em todas as áreas de sua vida.

É justamente esse o objetivo da campanha: quebrar tabus e dizer que esse cuidado deve estar presente na vida de todos. É um incentivo a mudança na qualidade de vida.

O tabu existe, os cuidados com a saúde mental ainda é alvo de preconceito. Ainda se ouve discursos do tipo “eu não sou louco”. Pois muitos, ainda hoje, desconhecem o que é e pra que serve a psicologia. Principalmente nos tempos atuais em que se hipervaloriza as aparências, em que se busca mostrar estar sempre bem nas redes sociais, buscar ajuda profissional poderia representar fraqueza. As pessoas têm receio e vergonha.

Esse preconceito tem que ser eliminado!

Cuidar da saúde mental é autoconhecimento, é evitar doenças e criar estratégias de como lidar com as diversas situações da vida. A terapia apenas nos enriquece como pessoa. Nos ajuda a lidar melhor com os outros, com o mundo e principalmente com nós mesmos. Aprendemos a superar nossas dificuldades, e a lidar com nossas emoções. É preciso de uma vez por todas acabar com os estigmas acerca da saúde mental e trabalhar na prevenção antes que problemas mais graves como transtorno de ansiedade e depressão apareçam.

Por isso, procurar ajuda de um psicólogo, é poder contar com alguém capacitado para compartilhar suas angústias, pensamentos e anseios e assim, receber uma orientação segura e ética.

Porque há sofrimentos, dores e violências que podem ser prevenidas, cuidadas ou reparadas. Exemplos que podem ser partilhados. Ensinamentos que podem ser difundidos em nome de pessoas mais saudáveis e mais bem resolvidos em termos emocionais.

Diante de tudo isso, uma única pergunta se faz presente: Como está sua saúde mental e o que você espera para a sua vida neste ano que se inicia? Que você tenha atitudes concretas e que esse ano-novo não seja somente mais um, mas seja o início de uma real mudança de vida, em busca de qualidade e felicidade.

Gláucia Perin
Psicóloga


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