Orientação Profissional para jovens em situação de primeira escolha
14 de Julho de 2018
Orientação Profissional para jovens em situação de primeira escolha

Grande parte das pessoas já ouviu falar de algum jovem que realizou “Orientação Vocacional”, seja na própria escola na qual estuda, seja em algum consultório particular de psicologia. E então, Orientação Vocacional é o mesmo que Orientação Profissional? Tecnicamente a resposta é não. Isso porque, ao pensarmos no termo Orientação Vocacional consideramos que o orientador seria visto como um especialista, munido de técnicas específicas, que revelaria ao orientando a sua vocação, ou seja, sua identidade profissional, além disso, tal denominação estaria mais ligada aos aspectos subjetivos das pessoas. Já a Orientação Profissional está voltada para a discriminação do orientando dos seus perfis pessoal e profissional (interesses, valores, habilidades, crenças) bem como o contexto socioeconômico na sociedade e na cultura em que vive. Esse tipo de orientação responde às questões como “O quê?” e “Será possível pra mim?”. Dessa forma, o trabalho do orientador profissional não é baseado em testes vocacionais. Muitas pessoas que procuram esse trabalho perguntam se são utilizados testes e explicar o “porquê não” do teste é uma árdua tarefa. Muitas vezes é difícil para uma pessoa compreender “que ela não nasceu para determinada profissão”, mas que é a investigação da sua história de vida, da sua genética e de sua cultura que determinarão seus perfis pessoal e profissional.

O objetivo da Orientação Profissional é auxiliar os indivíduos na situação de primeira escolha profissional, de reescolha ou, ainda, na adaptação a novas profissões. Os processos que envolvem a orientação profissional merecem destaque no atual contexto do mundo do trabalho, dado que o trabalho tem ocupado um papel essencial na vida de uma pessoa e contribuído de forma significativa para a sua saúde física e psicológica. Isso ocorre porque o trabalho hoje constitui os referenciais sociais, determina a rotina de vida diária, é o responsável pela sobrevivência e ocupa bastante do tempo de vida de uma pessoa. Dessa forma, é importante desenvolver uma atividade laboral que seja prazerosa, que seja reconhecida socialmente, que promova o sentimento de utilidade e que torne as pessoas cidadãs.

A função do orientador profissional é auxiliar o orientando na identificação dos determinantes de escolha da profissão e acompanha-lo nesse processo, permitindo que este elabore, pouco a pouco, seu projeto profissional e possa realizar sua escolha de forma mais consciente. Assim, o papel do orientando é ativo, enquanto o orientador assume o papel de facilitador do processo. É de extrema importância que se respeite o tempo e o ritmo de cada orientando, auxiliando-o a avançar até onde o seu momento de vida permite. O orientando irá aprofundar seu conhecimento pessoal e acerca da realidade profissional, aprendendo a integrá-los.

O processo de Orientação Profissional envolve três eixos, cada qual com seus objetivos. O primeiro eixo é o do Autoconhecimento, indispensável ao se pensar em escolha profissional. Algumas questões que o adolescente deve ser capaz de responder para só então começar a trilhar o caminho da escolha profissional são: “O que é prazeroso pra mim?” “O que me é aversivo?” “O que faço bem?” “Quais são as minhas dificuldades?” “O que almejo conquistar e em que tempo?” “O que é importante pra mim em termos de futuro?” “Quais são as minhas prioridades na vida?” Um dos desafios do trabalho com adolescentes em situação de primeira escolha profissional é o baixo nível de autoconhecimento. Justamente por essa razão, grande parte do processo de Orientação Profissional é dedicado a promover o autoconhecimento nos orientandos. Tal eixo tem como objetivo principal traçar o perfil do orientando. Este momento é de construção, que se dá nas interações sociais (entre o orientando e as pessoas de seu convívio). O orientador tem o papel de facilitador – aquele que faz perguntas, pois o orientando, ao responde-las, passa a discriminar a si e ao mundo ao seu redor.

O segundo eixo é o do Trabalho. Ao estudar o trabalho, é oferecida aos indivíduos uma melhor qualidade de vida. As condições de trabalho (ambiente físico, clima organizacional, relações interpessoais) contribuem para a promoção da saúde ou de doenças psicológicas e físicas do profissional. Por isso, faz-se necessário preparar as pessoas para lidar com as suas atividades laborais de forma a tornar tais atividades fontes de prazer e de reconhecimento, e não de sofrimento. O orientador profissional deverá pensar na formação do seu cliente visando a integralidade: formação técnica, formação acadêmica, formação educacional, e com conhecimentos que circunscrevem sua área de atuação.

O terceiro eixo a ser trabalhado é o Mercado de Trabalho. Para escolher uma profissão, primeiramente é necessário conhecer quais são as profissões existentes e, destas, quais estão acessíveis àquele indivíduo e podem corresponder às suas expectativas de futuro. Conhecidas as profissões é preciso identificar, através de pesquisas, quais são aquelas compatíveis com o perfil profissional do orientando. Com esses dados em mão é possível fazer uma reflexão mais apurada das quais escolher. Mediante a suposta escolha, faz-se necessário pesquisar sobre a realidade financeira da família e, sobretudo, a realidade brasileira perante o mercado de trabalho, ou seja, a oferta e procura da profissão desejada, mas sem esquecer das expectativas profissionais do orientando no contexto do seu projeto de vida. Nesse contexto, o processo de autoconhecimento é fundamental para o cliente saber o que gosta, quais são seus sonhos, o que combina com seu perfil, suas capacidades e habilidades para, então, buscar se adequar a uma profissão que comungue com sua forma de ser e, ao mesmo tempo, que lhe traga satisfação e qualidade de vida.

Portanto, a Orientação Profissional é um processo que envolve a aplicação de instrumentos, o uso de entrevistas e diálogos com o objetivo de instrumentalizar o jovem para a tomada de decisão acerca do seu futuro profissional, de maneira consciente e o mais acertada possível, uma vez que escolher uma profissão não é somente escolher o que quer ser, mas escolher quem ser. Escolher uma ocupação é escolher um estilo de vida, um modo de viver.

Caroline Meneghin Mansur
Psicóloga CRP: 06/103643


Artigos Relacionados

Estamos pulando etapas?
Estamos pulando etapas?
28 de Junho de 2018
leia mais...
Avaliação Neuropsicológica
Avaliação Neuropsicológica
20 de Junho de 2018
leia mais...
Autocompaixão
Autocompaixão
14 de Junho de 2018
leia mais...