Sempre é tempo
20 de Dezembro de 2018
Sempre é tempo

Fim de ano chega e traz consigo alguns sentimentos próprios, típicos dessa época. Entre eles estão a alegria, satisfação, alívio, busca por harmonia, encantamento com todo o clima natalino. No entanto, contradizendo toda a expectativa positiva, há também quem se sinta frustrado, culpado, ansioso, desanimado, triste e até com medo do que está por vir; não vendo a hora de passar logo as festas e retornar à rotina normal no novo ano.

Como escreveu a psicóloga Monique Martins (ver texto do Blog “Síndrome do final do ano”), há uma síndrome caracterizada por sentimentos negativos que inundam a pessoa no final de ano, onde esta, por algum motivo, não consegue se sentir feliz como todo mundo aparenta estar e apresenta comportamentos condizentes com seu estado emocional, muitas vezes até tentando reprimi-los para evitar constrangimentos.

Alguns motivos para que surjam sentimentos negativos são as expectativas e pressões impostas nessa época, sejam externas (financeira no sentido de ter que presentear, por exemplo, ou a imagem de Natal como estar com a família, o que pode não ser possível para alguns), ou internas (auto cobranças por metas não cumpridas no ano, entre outras).

Este é um período de retrospectiva, avaliação de um tempo contado em 365 dias, instrospecção, onde se acha um momento oportuno para pensar sobre erros e acertos, recomeços, mudanças, ajustes, relacionamentos, enfim, o que se pode melhorar no início de um novo ano, com novas chances.

Fato é que tais chances não se apresentam apenas com encerramento de ano ou com encerramentos de forma geral (como uma perda de alguém próximo que nossa faz pensar sobre como viver melhor), mas se fazem a cada começo de dia onde podemos decidir sermos melhores mesmo que seja fazendo o mínimo possível.

Nessa época, há uma autorreflexão excessiva, cobrança de que tudo esteja bem ou tenha sido bom, expectativas irreais, idealismos. E isso torna muitas pessoas angustiadas, tristes, frustradas, se sentindo como falei no início. Muitas vezes as metas de início de ano não são cumpridas por exigirem demais, como por exemplo se tratando de coisas que não estão completamente no nosso controle, e então não depende só de nós realizarmos.

Não digo que não se deve planejar ou esperar que algumas coisas aconteçam ao longo do ano, mas penso que devemos buscar um equilíbrio no sentido de também saber viver um dia de cada vez e saber que questões não planejadas inevitavelmente vêm. E assim, não fica todo um peso de “correr atrás do prejuízo” de uma vez só, como é a sensação de final de ano pra muitos.

Por isso se fazem importantes reflexões contínuas e moderadas, aproveitando a chance de cada novo dia para ser uma pessoa melhor, para realizar o que precisa, fazer algo pelos seus sonhos ou pelos sonhos de outras pessoas quem sabe, buscar relacionamentos saudáveis, tratar bem quem está ao seu redor, fazer o bem para si mesmo, enfim, tendo a chance de fazer um mundo melhor, mesmo que seja como uma gota em um oceano (como disse Madre Teresa de Calcutá), mas pelo menos ser parte ativa e positiva dele. E, se não conseguir atingir seus objetivos traçados para determinado momento, lembrar que sempre é tempo de tentar e recomeçar.

Bom recomeço diário para você!

Mariane Escher Furtado Dantas
Psicóloga Clínica – CRP 06/108042


Artigos Relacionados

Síndrome do final de ano
Síndrome do final de ano
14 de Dezembro de 2018
leia mais...
Transtorno de Pânico
Transtorno de Pânico
14 de Dezembro de 2018
leia mais...
Você chora?
Você chora?
22 de Novembro de 2018
leia mais...