Tudo perfeito!
22 de Janeiro de 2019
Tudo perfeito!

Mês de Janeiro Branco e esse é especial para nós, profissionais da saúde mental, por valorizar e conscientizar esse cuidado, lembrando como é importante estar atento às nossa emoções e fazer o máximo pra viver bem.

E por que então não tentar fazer tudo perfeito pra esse viver bem? Se o entendimento de perfeição for ligado a fazer e ser excelente, ok! Dá pra viver bem assim. Mas, caso perfeição seja sempre se esforçar além do limite para que essa excelência sempre se supere, melhor repensar.

O exemplo dado acima foi apenas uma situação, o cuidado consigo mesmo. Mas poderiam ser inúmeras situações quando se trata de alvos e objetivos para um perfeccionista, e uma palavra chave: desempenho. Só de pensar já se abre espaço para medos (principalmente de erros e falhas), angústias, sensação de não ser bom o suficiente para desempenhar determinada tarefa, entre outros sentimentos desagradáveis.

O perfeccionismo pode ser considerado um padrão muito elevado de comportamento, imposto principalmente pela própria pessoa a si mesma (mas também a outros) e que é proveniente de crenças, por exemplo, relacionadas a incapacidade e rejeição, gerando uma autocrítica muito severa e rígida e interferindo também na autoimagem, que geralmente é negativa. Portanto, a questão que mais interessa não é o padrão de comportamento em si, mas as crenças que levam uma pessoa a exigências acima do seu limite.

Tais crenças na maior parte das vezes estão relacionadas com a infância e as exigências e expectativas parentais, o que desde cedo já demandava maior esforço para agradar ao outro e não ser rejeitado; e também com o desenrolar da história de vida de cada um e o que foi sendo construído a nível de pensamentos através das experiências vividas. A própria tendência cultural é valorizar o perfeccionismo, o que acaba dificultando o enfrentamento e não crescimento dele.

Algo a ser internalizado por todos nós seres humanos é que, se somos realmente humanos, não somos perfeitos. É esse o fato que pode libertar quem segue nessa busca desenfreada pela perfeição, e com ela o sofrimento, angústia e frustração por nunca conseguir chegar tão alto quanto se deseja. Claro que o seu desempenho é via de regra muito bom e muito raro não ser elogiado, mas nunca é bom o suficiente. E acaba sendo um ciclo vicioso. E claro, também, que não é tão simples e fácil assim essa “libertação”, mas, se contrapondo aos alvos perfeccionistas, é possível.

O esforço pela excelência gera satisfação, desde que haja consciência de limitações e dificuldades que se tem e que podem ser enfrentadas e que, no meio do caminho, algumas coisas podem sair diferentes, mas que não será algo necessariamente ruim e que poderá resultar até em crescimento e desenvolvimento pessoal.

Tentar ser mais gentil consigo mesmo e se tratar com menos julgamentos e consequentemente com os outros, se colocar mais em exposição, se abrir mais, buscar ser mais autêntico e aceitar limitações, podem ser caminhos para uma vida melhor e mais livre de correntes que muitas vezes nós mesmo nos colocamos sem necessidade. E lembrar sempre que tudo tem limite e ninguém é perfeito.

Mariane Escher Furtado Dantas
Psicóloga Clínica - CRP 06108042


Artigos Relacionados

Janeiro Branco
Janeiro Branco
22 de Janeiro de 2018
leia mais...
Você está vivendo ou apenas está vivo?
Você está vivendo ou apenas está vivo?
08 de Janeiro de 2019
leia mais...
Sempre é tempo
Sempre é tempo
20 de Dezembro de 2018
leia mais...